Natália Correia
Ó Véspera do Prodígio!
I
Além do sol, além do Sete-Estrelo
Uma última Tule me subentende.
O caminho p'ra mim não sei. Sabe-lo
Será ciência que a morrer se aprende?
Passo ou sou? Deuses, quem quebra o selo?
Quando entro em mim outrem me surpreende
Que um génio zombador tem por modelo.
Onde o esquivo lar desse duende?
Seja quem for o eu que em mim recluso
Alheio fado cumpre, é vácuo o uso
Que do dom de pensar em vão fazemos.
Melhor é ir. Atravessar o muro,
Seguir na barca que passa o golfo escuro
E ao Grande Enigma abandonar os remos.
In O Sol nas Noites e o Luar nos Dias II,
Projornal, 1972/73


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